Entorse do tornozelo

Entorse pode ser uma sobrecarga grave, estiramento ou ruptura de tecidos moles como cápsula articular, ligamentos, tendões ou músculos.

Como ocorre? A maneira mais comum de ocorrer a lesão é “virar o pé para dentro” (em termos médicos, trauma em inversão do pé). Geralmente observa-se inchaço no tornozelo, que ocorre somente na face lateral nas entorses leves ou difusamente nas entorses graves. Acompanhando inchaço pode ocorrer um hematoma (depois de 24h ou 48h da entorse) na face lateral do pé e tornozelo.

tornozelo

 

Quais as causas? Pode estar relacionado com irregularidades no solo, a adoção de determinadas formas de andar, o uso de sapatos altos e saltos estreitos podem facilitar a entorse, tal como situações de fraqueza muscular ou ligamentar.

Como prevenir? As pessoas cujos tornozelos torcem com facilidade podem evitar as lesões subseqüentes utilizando aparelhos ortopédicos, meias elásticas para os tornozelos e colocando dispositivos no calçado para estabilizar o pé e o tornozelo. Além disso, fisioterapia para restabelecer o movimento, fortalecer os músculos que agem no tornozelo e melhorar o equilíbrio através de exercícios de propriocepção, treinos em terrenos irregulares (com supervisão de um profissional da área).

Sintomas Os sintomas dependem da gravidade da situação, podendo ser considerados três graus, dependendo do grau de estiramento e/ou rotura dos ligamentos: Grau 1 ou entorse ligeira – os ligamentos sofrem estiramento mas não rotura. Os sintomas são ligeiros, no que diz respeito à dor e inchaço local.

entorse Grau 2 ou entorse moderada – os ligamentos sofrem estiramento e rotura incompleta. Os sintomas são mais exuberantes, com dor local, inchaço e, por vezes, hemorragia, dificultando, ou mesmo, impossibilitando a marcha. Grau 3 ou entorse grave – ocorre rotura completa de um ou mais ligamentos, o que provoca instabilidade do tornozelo. Este aspecto, em conjunto com os sintomas intensos que se desenvolvem imediatamente, tornam a marcha impossível.

Como se diagnostica? O diagnóstico da entorse é clínico, ou seja, é feito após a observação do doente por especialista de ortopedia. A radiografia do tornozelo pode ser realizada, mas apenas para excluir a coexistência de fratura. Nos casos mais complexos, são necessários outros exames complementares como a radiografia sob esforço em varo, para comparação com o lado são, ou mesmo Ressonância Magnética.

Tratamentos

O tratamento das entorses de tornozelo é direcionado de acordo com a lesão apresentada. Entretanto, na fase aguda, é interessante realizar o protocolo abaixo:

• Repouso: fazer movimentos apenas para as necessidades básicas diárias e evitar longas caminhada;

• Elevação: elevar o membro afetado, colocando-o sobre um apoio, quando sentado e sobre um ou dois travesseiros, quando deitado;

• Gelo: compressas devem ser realizadas na face anterior do joelho – a parte da frente – por 20 minutos, quatro vezes por dia. Deve-se envolver a bolsa de gelo com uma toalha para proteger a pele do frio excessivo;

• Órtese: usar talas imobilizadoras ou imobilizações gessadas, conforme orientação médica. A órtese deve ser usada 24 horas por dia, retirando-as somente para a realização da compressa de gelo e para o banho;

• Medicações: podem ser prescritos analgésicos e anti-inflamatórios, que devem ser utilizados conforme orientação médica.

• Exames complementares: dependendo do tipo da lesão o médico pode, após realizar o exame físico do joelho, solicitar uma ressonância magnética. Esse exame deve, preferencialmente, ser realizado de forma ambulatorial. Não há indicação da realização do exame no atendimento inicial do paciente que ocorre no pronto atendimento.

• Fisioterapia motora: é indicada para proporcionar uma reabilitação adequada e o retorno às atividades normais do paciente. Sinais de alerta

Se surgir vermelhidão, inchaço, dor que não cede com as medicações ou perda de sensibilidade do membro afetado, o paciente deve procurar o Pronto Atendimento para nova avaliação. O tempo de cicatrização varia conforme o grau da entorse. Para melhor acompanhamento da lesão, após a consulta no Pronto Atendimento, deve-se agendar retorno com seu médico particular, levar os exames solicitados e realizar o acompanhamento ambulatorial. Essa nova avaliação deve ser feita em aproximadamente uma semana.

Tratamento de acordo com o grau

Na entorse ligeira, habitualmente opta-se pela aplicação de gelo e repouso. Deve ser utilizado um apoio de marcha (com muletas) durante uma semana, de forma a imobilizar a parte inferior da perna. Uso de muletas por si só já é considerada uma imobilização. A marcha será reiniciada de forma progressiva.

Na entorse moderada, além do realizado acima é necessário a imobilização com tala gessada em torno de três semanas.

Na entorse grave, a indicação será de imobilização com tala por uma semana, seguido de gesso por mais três semanas e ainda corre o risco de precisar operar, de forma a suturar os ligamentos e, posteriormente, aplicar uma imobilização gessada.

A fisioterapia é a grande companheira de quem sofreu uma entorse. Não se consegue uma boa evolução sem esta. O principal fator ligado a fisioterapia é justamente evitar a cronificação da lesão o gera entorses de repetição.

O futebol e o desgaste das articulações

Muita gente diz por aí que o esporte pode causar um desgaste precoce das articulações, o que na linguagem médica chamamos de artrose. Esta é uma condição que realmente pode acontecer, mas até que ponto as histórias sobre este tema são verdades?

O futebol pode fazer com que as articulações (principalmente joelho, quadril) possam sofrer um desgaste precoce, causando dor, limitação dos movimentos, derrame articular (inchaço) e, em alguns casos, a necessidade de tratamentos cirúrgicos. Geralmente observamos isto em jogadores que tiveram uma vida profissional competitiva, e os locais mais freqüentes de artrose são o quadril e o joelho – o quadril por ser a articulação onde o atleta faz os giros nos momentos dos chutes e o joelho por ser uma articulação muito susceptível a lesões que, se não tratadas adequadamente, levam a artrose. O joelho é considerado a articulação central do corpo e os meniscos (estruturas que já falamos aqui em outra coluna) são os amortecedores de impacto, daí esta articulação sofrer tanto.

A artrose é o desgaste da cartilagem articular, ou seja, uma camada lisa que recobre os ossos nas articulações e que tem a função de fazer com que o movimento se dê de forma harmoniosa e sem dores. Quando esta articulação começa a se desgastar ela vai formando fissuras, que nos casos mais avançados fazem com que o osso fique exposto, levando a dores, inchaços e dificuldade de mobilização da articulação (casos graves podem até fazer com que a articulação fique completamente rígida). Claro que este desgaste não ocorre de uma hora pra outra, ele vai aumentando com o tempo, sendo uma doença progressiva.

Mesmo nos dias de hoje, não existe um tratamento que faça com que a cartilagem desgastada volte a uma situação de normalidade. A maior parte dos tratamentos visa evitar a progressão da artrose, com medicamentos, diminuição de peso e fisioterapia, entre outros. Especificamente na região do joelho, devemos ter cuidado para tratar bem as lesões internas, como as lesões do menisco e do ligamento cruzado anterior. Hoje se sabe que lesões não tratadas do ligamento cruzado anterior e do menisco podem levar a um quadro de artrose precoce, pois o joelho começa a fazer movimentos excessivos durante o arco de movimento na prática esportiva, e isto vai causar sobrecargas locais ou generalizadas da cartilagem articular.

O tratamento cirúrgico definitivo para a artrose pode passar desde uma simples artroscopia (procedimento que já comentamos na coluna de lesões meniscais), até pela colocação de uma prótese. Ainda existe muita controvérsia no meio médico sobre a prática de esporte depois da colocação de uma prótese interna. Eu, pessoalmente, recomendo a prática de esportes de menos solicitação, tal como tênis em duplas, em pacientes com próteses de joelho e de quadril, e em alguns casos em particular o paciente pode jogar partidas de simples desde que não se tenha uma grande movimentação lateral durante os pontos, ou mesmo corridas em linha reta em terrenos macios. Já o futebol é muito arriscado pra o paciente protetizado. Volto a dizer que cada caso deve ser analisado isoladamente, e muitos fatores estão envolvidos, entre eles o peso do atleta e o quanto ele jogará por semana, já que o desgaste da prótese é acelerado com a atividade esportiva.

O melhor de tudo isso é você prevenir a lesão, através de um acompanhamento médico freqüente caso você venha a ter dores em articulações frequentes com a prática do futebol. Cuidando-se, você pode diagnosticar precocemente as lesões mais frequentes, evitando assim que elas progridam para um desgaste articular grave.

desgaste

Agradecimento ao Dr. Rogério Teixeira da Silva pela contribuição no texto.

 

Estiramento Muscular

Neste último fim de semana, vimos a lesão de Ganso na final do Paulistão. Assim, resolvi falar sobre ela.
As lesões musculares estão entre as mais freqüentes nos esportes e modificam significativamente os hábitos de treinamento e competição dos praticantes.
Quem já sofreu um estiramento muscular jamais esquece a dor e as dificuldades para voltar a fazer o esporte preferido sem medo de sentir novamente.

DEFINIÇÃO

O ESTIRAMENTO MUSCULAR é uma lesão indireta, pois ocorre na ausência de contato físico e caracteriza-se pelo “alongamento” das fibras além dos limites normais, também chamados de fisiológicos.

A contração muscular pode ser classificada em dois tipos:

CONCÊNTRICA, caracterizada pelo encurtamento das fibras musculares, em função da força gerada ser de intensidade superior à resistência imposta.

EXCÊNTRICA, caracterizada pelo “alongamento” das fibras musculares, em função da força gerada ser de intensidade inferior à resistência imposta.

Os estiramentos musculares ocorrem predominantemente durante as contrações musculares excêntricas.

Podemos classificar os estiramentos em PARCIAIS (acometem parte do músculo) ou TOTAIS (acometem a totalidade do músculo).

HISTÓRIA

atleta
A história de quem sofre uma lesão é marcada por uma dor súbita durante a realização de um movimento esportivo e algumas vezes acompanhado de uma sensação de estalido.
A intensidade da dor é variável e geralmente provoca desequilíbrio e interrupção do movimento. O inchaço pode se formar logo após a lesão, acompanhada ou não de uma deformidade (depressão local).
Os grupos musculares mais freqüentemente atingidos por estiramentos são os ísquiotibiais (músculos posteriores da coxa), o quadríceps femoral (músculos anteriores da coxa) e o tríceps sural (músculos da perna). Estes músculos apresentam em comum as seguintes propriedades: são biarticulares (atravessam duas articulações) e tem um predomínio de fibras do tipo II (fibras de contração rápida).
As regiões mais atingidas no músculo são as transições músculo-tendão e no ventre muscular (corpo do músculo).

FATORES PREDISPONENTES
Os fatores predisponentes aos estiramentos são:
– Deficiências de flexibilidade
– Desequilíbrios de força entre músculos de ações opostas (agonistas e antagonistas)
– Lesões musculares pregressas
– Distúrbios nutricionais e hormonais
– Infecções
– Fatores relacionados ao treinamento
– Incoordenação de movimentos, técnica incorreta, sobrecarga e fadiga muscular.

Na primeira fase após a lesão, há um desarranjo na estrutura das fibras musculares, desencadeando um processo de morte celular (necrose), seguindo-se uma inflamação com o aparecimento dos sinais e sintomas típicos, como: inchaço, equimose e hematoma (acúmulo de sangue), dor, deformidade e limitação de movimentos.

A fase seguinte se caracteriza pela migração de células sanguíneas e a liberação de substâncias (fatores de crescimento celular) que estimulam o reparo (cicatrização) e a regeneração das fibras musculares.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico deve abranger uma história e exames clínicos adequados, podendo ser ou não complementados por métodos de diagnóstico por imagem a critério médico.

CLASSIFICAÇÃO

A classificação dos estiramentos tem importância no diagnóstico, já que identifica e quantifica a área lesada do músculo, os fenômenos concomitantes, a gravidade, os critérios de tratamento, o tempo de afastamento do esporte e a previsão de seqüelas.

Podemos classificar os estiramentos de acordo com as dimensões da lesão em:

Grau I – lesão < 5% do músculo. A dor é localizada durante a contração muscular contra-resistência e pode ser ausente no repouso, sem formação de hematoma e a limitação funcional é leve. Apresenta bom prognóstico e a restauração das fibras é relativamente rápida.

Grau II – lesão > 5% e < 50% do músculo, acompanhado de edema, dor localizada, hemorragia leve ou moderada, limitação funcional moderada, pode evoluir com seqüelas.

Grau III – lesão > 50% do músculo, acompanhada de perda de função, defeito palpável (retração muscular) e presença de hematoma, recuperação lenta e o prognóstico é indeterminado, de um modo geral evoluindo com seqüelas (deformidades).

O tratamento dos estiramentos musculares abrange:

– Medicamentos sob prescrição médica: analgésicos, antiinflamatórios e mio relaxante.
– Gelo: compressão do local com bolsas de gelo durante 20 a 30 minutos, 3/3 horas.
– Repouso do membro afetado com a utilização de órteses (muletas, estabilizadores).
– Elevação do membro acometido para uma drenagem mais eficiente do edema.
– Fisioterapia sob prescrição: controle da dor e exercícios.

O diagnóstico precoce, assim como a prescrição de tratamentos específicos, são importantes na abordagem dos estiramentos. Nem sempre os estiramentos são precedidos por dor no mesmo local ou tensão muscular aumentada, portanto prever o surgimento de tais lesões não é uma tarefa simples.

Negligenciar o tratamento leva freqüentemente a recidivas, com novas lesões no mesmo músculo e que podem resultar seqüelas e longos períodos de afastamento do esporte.

Agradecimento ao Dr. Rogério Teixeira pela colaboração com o artigo.

Tendinites e o Tendão de Aquiles (Tendão Calcâneo)

Segundo a mitologia grega, Aquiles tinha um único ponto vulnerável em seu corpo. Um ponto fraco que foi herdado pela humanidade ao “batizar” o tendão calcâneo de tendão de Aquiles.

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