Profissionais da saúde realizam curso para formação de médicos de esportes de combate

Foi realizado no último sábado, 25 de outubro, o primeiro Curso de Formação de Médicos de Esportes de Combate, no Rio de Janeiro. O evento fez parte da programação do Rio Sport and Health e contou com a participação de mais de 100 profissionais de todas as áreas, além da área médica.
O evento promoveu uma série de discussões mediadas pelo Comitê Médico da Comissão Atlética Brasileira de MMA, a respeito de temas como as avaliações pré, pós e dentro do ringue, com o objetivo de consolidar e criar novos protocolos de atendimento aos atletas profissionais.
Outros assuntos que estiveram em pauta incluem o controle de dopagem e a perda de peso, temas em alta em todo universo do MMA, principalmente após as situações que envolveram Wanderlei Silva e Renan Barão, respectivamente.
Ao final do curso, foi apresentada ainda a Associação Brasileira de Médicos de Esportes de Combate (ABRAMEC), que pretende servir como órgão de consultoria científica e de condutas médicas da área.

por Marcelo Alonso

Particularmente esse é um sonho a muito esperado por nós da CABMMA mais de 10 anos dedicado ao esporte e estamos finalmente colhendo frutos. Fico feliz de participar deste grupo e animado com o futuro do MMA no Brasil

MMA para Crianças, Pode?

Não só pode como deve! A atividade de MMA bem orientada respeitando o controle lúdico e os limites da criança traz benefícios inigualáveis. Em minhas viagens acompanhando atletas de MMA tive a oportunidade de conhecer diversos profissionais que trabalham com crianças dentre eles me impressionei com o programa Cardio MMA Kids  que Diogo Souza Preparador Físico de Alto Rendimento Especializado em Exercício Físico Aplicado a Reabilitação Cardíaca e a Grupos Especiais me mostrou e pedi que ele falasse um pouco aqui.

“A regularidade da prática de exercícios físicos, quando realizada sob a supervisão de um profissional, pode proporcionar inúmeros benefícios para seus praticantes. Dentre eles podemos destacar:

– Controle ou redução do peso corporal;

– Melhora do sistema cardiovascular e cardiorrespiratório;

– Ajuda na prevenção e reabilitação de lesões;

– Tem a possibilidade de desenvolver inúmeras capacidades físicas como: Força, Potência, Velocidade, Resistência, Agilidade e Flexibilidade.

Ao descrevermos os benefícios acima, parece termos em mãos uma fórmula simples para uma vida ativa e saudável, mas a nossa realidade, infelizmente, ainda é outra. O número de pessoas sedentárias ainda é alto, e cada vez mais, devemos criar alternativas para reverter esta situação.

Trabalho com treinamento esportivo há mais oito anos, e pude notar, que independente do objetivo de cada individuo, do bem-estar ao alto rendimento, é necessário construirmos um lastro de treinamento, para fortalecermos e estruturarmos o corpo humano, e esta prática deve começar desde a infância.

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Com a implantação do Programa Cardio MMA Kids em academias, clubes esportivos e studios de treinamento e a formação de uma equipe composta por profissionais de educação física que tenham graduação a experiência em alguma arte marcial, pudemos levar as pessoas, um maior contato com a preparação física de alto rendimento para atletas de MMA. Dentro do cronograma semanal parte do tempo é reservada para a preparação física de alto rendimento com atletas de MMA, Jiu Jitsu e Grappling.  

O que esses praticantes têm em comum com a preparação dos atletas de alto rendimento? Muito. Encontramos fãs do MMA em todas as faixas etárias, mas em muitos casos, tiveram experiências mal sucedidas em um primeiro contato com a arte marcial e por sua vez abandonaram a prática de maneira precoce. E quando trabalhamos com seriedade, como é o caso de muitos profissionais que conheço, podemos pensar em reverter os números do sedentarismo. Uma das curiosidades que justifica a definição acima é quanto a população do Cardio MMA private. Boa parte das praticantes estão na terceira idade e necessitam de um trabalho preventivo ou com foco em reabilitação. O acompanhamento do treinamento delas é feito de forma multidisciplinar, e o contato com neurologistas, ortopedistas, entre outros, é feito continuamente..”

MMA, vale tudo?

Quando em 2004 fui convidado pelo professor Luís Dorea pra ser medico de sua equipe na academia Champion não imaginava que aquela luta em que “valia tudo” iria se tornar um dos esportes mais competitivos e assistido do mundo.

O MMA (Mixed Marcial Arts) hoje é o segundo esporte mais assistido do Brasil, e claro que tudo que é novo traz em si algumas desconfianças. Sendo o MMA a bola da vez, os críticos  pregam de que ele é um esporte muito agressivo, chegando ao cúmulo de alguns dizem que nem esporte ele devia ser considerado.

Só mesmo desconhecendo os bastidores e as regras deste esporte se pode imaginar que ele não seja em sua magnitude o esporte do século. Suas regras, seus limites são muito bem especificados, tornando-o um esporte absolutamente seguro e regular. Milenarmente, se assim posso falar, os homens já se degladiavam, antes sem regras, mas como tudo no mundo e na historia evolui, chegamos ao atual MMA.

Como todo esporte ele tem suas lesões especificas e em função de boa parte destas lesões acontecerem na face, isso, as vezes, assusta ao expectadores. Me perguntaram se achava o esporte agressivo, e minha resposta foi categórica: Não! Explico porque: para que eu possa julgar a  agressividade de qualquer coisa, até mesmo de um esporte tenho que me basear em dados e comparações.

Na última década venho atuando junto ao futebol onde sou Medico do Esporte Clube Bahia, se considerar apenas de 2006 pra cá e comparar o futebol com MMA, posso trazer um dado alarmante. No time do Bahia realizei mais de 30 cirurgias em função das mais diversas lesões: joelho, tornozelo, antebraço, ombro. Já na equipe do professor Dorea, não foram mais do que 05. Olha que a equipe é muito grande. Dentre esses pacientes pude acompanhar Júnior dos Santos “Cigano”, nosso Campeão mundial, desde o momento de sua lesão 12 dias antes de disputar o título mundial. Quando o examinei ainda deitado no Tatame tive a certeza da lesão do menisco e para tranqüiliza-lo listei os jogadores de futebol que tinham sofrido lesões semelhante no ano anterior. Isso foi o mais interessante pois rapidamente listei 05 atletas. Assim pude perceber o quanto agressivo é o futebol. Sorte termos meu colega Arivan Gomes, fisioterapeuta esportivo por perto e deu assistência imediata ao Junior.

Claro que ao ver uma  laceração (corte) na face com sangramento esta assusta muita mais, mas o fato de assustar não significa que o esporte seja mais agressivo. Comparar o MMA com o Futebol Americano por exemplo é como fazer uma luta de Davi com Golias, o futebol Americano lesiona muito mais que o MMA e retira atletas de carreira professional muito mais constantemente e é muito menos criticado. A verdade é toda vez que se retrata um esporte de “luta” a agressividade vem a tona, pois todos imaginam uma disputa pessoal e sangrenta.

Também seria demagogia de minha parte falar que o MMA é inofensivo, claro que não. Hoje uma estatística feita por mim em mais de 20 eventos de MMA onde coordenei o departamento Medico aqui na Bahia mostrou que 66% das lesões foram cortes, 24% contusões e 10% entorses onde envolviam as chaves de braço , de joelho, de tornozelo e outras . E sempre o que mais choca são  aquelas contusões na face onde se forma um grande hematoma deformando o rosto do atleta. Claro que são lesões desagradáveis de se ver mas são lesões, na sua grande maioria, superficiais de fácil tratamento onde muitas vezes apenas o gelo é o tratamento indicado.

O que vemos é que  ao se tornar atleta seja qual for o esporte temos em mente não se ele vai se lesionar , mas sim quando. As lesões esportivas são tão frequentes que hoje virou um sub especialidade da ortopedia, chamada Traumatologia Esportiva. Atleta na essência da palavra, que não quer se lesionar deve procurar o Xadrez ou dama como esporte pois nestes sim as lesões inexistem. Ou melhor eles podem desenvolver LER, lesões por esforço repetitivos.

Brincadeiras a parte o MMA vem se tornando cada vez mais, um esporte competitivo e os treinos são cada vez mais intensos. O que vejo é que estatisticamente a maior parte das lesões não ocorrem em eventos oficiais mas sim no próprio treinamento do lutador. Hoje o que não se pode é negligenciar os treinos, pois além de uma equipe preparada com os devidos equipamentos de segurança. A proteção nos treinos é fundamental, grandes marcas mundiais como  Everlast, Pretorian tem investido em equipamento cada vez mais seguros que minimizam esses riscos, cabe ao esportista procurar profissionais que tenham capacidade, formação e infraestrutura para os treinar.

Outra grande mudança que vem ocorrendo são as alterações das regras o que torna cada vez mais seguro a pratica e a competição deste esporte.

Fazendo um paralelo com o futebol, quando eu era menino, lembro que não era obrigatório o uso de “caneleira” já hoje nenhum jogador entra em campo sem. No MMA não é diferente, mas por ser mais novo que o futebol suas regras estão sendo ainda formadas. A criação da Confederação Brasileira de MMA vais ser um grande passo neste sentido, em conversa com Carlão Barreto que Junto com Mario Yamasaki vem encabeçando este projeto, tive a certeza de que este será mais uma vitória do MMA no combate a violência desleal.

O UFC, maior evento de MMA do mundo ainda demonstrou uma preocupação especial em relação a seus atletas e criou um plano de saúde com seguro que cobre o tratamento desses atletas. Agora va você ser atleta de futebol, dependerá muitas vezes da boa vontade dos médicos do clube, a maioria dos clubes de futebol do brasil não tem um seguro de saúde pra seus atletas. Não quero aqui criticar o futebol, mas mostrar como o MMA vem se espelhando nos esporte de maior sucesso pra prolongar a vida esportiva de seu atletas. Hoje grandes nomes do MMA mundial como Minotauro, tem seu Fisioterapeuta (Dra Angela Cortes), Fisiologista (Pavanelli). Aqui na Bahia temos implantado essa cultura nos atletas junto com o Fisiologista Alexandre Dortas damos assistência a diversos atletas no intuito de promover saúde e prevenir as lesões.

Vejo um esporte promissor que aliado com grandes treinadores, proteções corretas, regras claras e atletas conscientes teremos cada vez menos lesões até mesmo aquelas que tanto impressionam. Sou carateca ha 30 anos, pratico boxe ha 10 e  fã do MMA, como médico sinto muito mais seguro de indicar a meu filho, Bruno de 6 anos a prática deste esporte do que o futebol, pois nesses poucos anos de vida dele, já o vi quebrar um dedo do pé, jogando futebol, torcer o tornozelo e perder duas unhas e no MMA a única dor dele foi quando, pra não de machucar, teve que bater 3 vezes no chão pedindo pra parar. Doeu, mas foi um bela lição de humildade.