• Categoria Ortopedia | 8/05/2014
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    Dor no Ombro de atletas

    POSTADO POR Fabio Costa

    Tenho atendido muitas atletas com dor no ombro e resolvi esclarecer algumas duvidas para facilitar o dia-a dia de quem sofre do problema. É lógico que cada dor pode ter origem de uma causa diferente (síndrome do impacto, ruptura do manguito rotador, tendinite do bíceps, SLAP) todas essas são lesões pertinente ao ombro. Assim pra abrilhantar nosso artigo convidei Caio Ferreira Fisioterapeuta, pra discutir o assunto. Caio esta muito presente nas redes sociais falando sempre em lesões esportivas e achei a pessoa certa pra abordar esse tema. Mesmo porque venho sofrendo com uma lesão no ombro em função dos treinos de Muay Thay e Stand up paddle.

    O ombro é um complexo articular muito complexo que se move nos 3 planos e, pelo seu alto grau de liberdade de movimentos, torna-se muito instável, solicitando assim, um árduo trabalho das estruturas estabilizadoras estáticas (ligamentos) e dinâmicas (músculos). Não podemos falar em ombro sem entender que sua biomecânica está diretamente ligada às articulações, a gleno-umeral, a esterno-clavicular, a acrômio-clavicular, a córaco-acromial e a escápulo-torácica. Todas essas articulações se movem em completa harmonia e quando existe alguma disfunção nesses movimentos, é certo que nós já saímos perdendo quando se trata de esporte de alto rendimento ou algum processo patológico já instalado.content_id-2

    Falando em patologias, o ombro pode ser acometido por bursistes (inflamação das bursas), tendinites (inflamação dos tendões), lesões traumáticas do labrum (bankart e hill-sachs), síndrome do impacto, entre outras. Essas lesões geram mecanismos anormais de movimento, dentre eles, a discinese escapular.

    A discinese escapular é o fenômeno pelo qual a escápula se move de forma a deixar proeminente seus acidentes ósseos (ângulo inferior, bordo medial e ângulo superior) sendo classificada em graus I, II e III a depender de quais estruturas estão sendo notadas no exame físico. Estudos mostram que esse fenômeno pode se manifestar em atletas “overheads” (que utilizam o braço acima da cabeça no seu gesto esportivo repetitivamente) como uma adaptação específica do esporte (Volêi, natação, Stand up paddle, etc) podendo gerar lesões crônicas de ombro e da coluna cervical.

    Uma dessas lesões é a Síndrome do Impacto, que acontece quando o tendão do supra-espinhal (geralmente é a primeira estrutura lesionada) e a Bursa são constantemente impactadas pelo tubérculo maior do úmero (estrutura proeminente do osso do braço) no acrômio. Essa compressão gera inflamação, edema e dor intra-articular impossibilitando não só atletas como também outros profissionais de exercer suas atividades diárias, esportivas e/ou laborais.image-3

    Trazendo para clínica, podemos exemplificar algumas restrições dos pacientes como dificuldade na realização do movimento de tirar o sutiã, dor ao estender roupas, tirar camisa e coçar a cabeça. Atletas de vôlei, natação, stand up paddle ou tênis referem dor no movimento do saque / corte, braçada do nado borboleta / costas / craw  na remada mais intensa , mão de cima do remo e no saque/backhand respectivamente.

    O tratamento médico geralmente consiste no uso de medicações anti-inflamatórias, analgésicas e mio-relaxantes. No que diz respeito a avaliação e tratamento fisioterapêutico alguns achados clínicos são notados nos indivíduos com dor no ombro, são elas: fraqueza da musculatura estabilizadora da escápula (serrátil anterior, trapézio inferior, romboides e infra-espinhal), tensão exacerbada por hipersolicitação no trapézio superior, rigidez da cápsula posterior do ombro, hipomobilidade da coluna torácica e déficit de estabilização sensório-motora.

    A fisioterapia exerce papel primordial na reabilitação da síndrome do impacto do ombro, fortalecendo a musculatura da cintura escapular, devolvendo a amplitude de movimento, inibindo a tensão muscular, recuperando o ritmo escápulo-umeral e o sinergismo muscular, quebrando o desarranjo articular cervical, diminuindo a rigidez torácica através de técnicas de Cinesioterapia Funcional (tratamento por meio do movimento), Maitland e Mulligan (mobilizações articulares), PNF (facilitação neuromuscular proprioceptiva), Mckenzie (método de diagnóstico e terapia mecânica), Osteopatia (método diagnóstico e tratamento manual), além de realizar o treinamento neuromuscular excêntrico e sensório-motor com base no gesto esportivo específico do atleta e respeitando as fases da lesão em que o mesmo se encontra.content_id-4

    Dessa forma, para uma plena reabilitação, faz-se necessário o acompanhamento constante da equipe multidisciplinar (Médico, Fisioterapeuta, Educador Físico, Nutricionista, etc) para que o atleta consiga reduzir a dor, modular a inflamação, conscientizar-se sobre os padrões de movimentos menos lesivos para o gesto esportivo, ter um acompanhamento profissional para manter-se com a nutrição e o treinamento adequado com base na sua especificidade e, por fim, retornar às suas atividades esportivas com o mínimo risco de lesões!