Estiramento Muscular

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Neste último fim de semana, vimos a lesão de Ganso na final do Paulistão. Assim, resolvi falar sobre ela.
As lesões musculares estão entre as mais freqüentes nos esportes e modificam significativamente os hábitos de treinamento e competição dos praticantes.
Quem já sofreu um estiramento muscular jamais esquece a dor e as dificuldades para voltar a fazer o esporte preferido sem medo de sentir novamente.

DEFINIÇÃO

O ESTIRAMENTO MUSCULAR é uma lesão indireta, pois ocorre na ausência de contato físico e caracteriza-se pelo “alongamento” das fibras além dos limites normais, também chamados de fisiológicos.

A contração muscular pode ser classificada em dois tipos:

CONCÊNTRICA, caracterizada pelo encurtamento das fibras musculares, em função da força gerada ser de intensidade superior à resistência imposta.

EXCÊNTRICA, caracterizada pelo “alongamento” das fibras musculares, em função da força gerada ser de intensidade inferior à resistência imposta.

Os estiramentos musculares ocorrem predominantemente durante as contrações musculares excêntricas.

Podemos classificar os estiramentos em PARCIAIS (acometem parte do músculo) ou TOTAIS (acometem a totalidade do músculo).

HISTÓRIA

atleta
A história de quem sofre uma lesão é marcada por uma dor súbita durante a realização de um movimento esportivo e algumas vezes acompanhado de uma sensação de estalido.
A intensidade da dor é variável e geralmente provoca desequilíbrio e interrupção do movimento. O inchaço pode se formar logo após a lesão, acompanhada ou não de uma deformidade (depressão local).
Os grupos musculares mais freqüentemente atingidos por estiramentos são os ísquiotibiais (músculos posteriores da coxa), o quadríceps femoral (músculos anteriores da coxa) e o tríceps sural (músculos da perna). Estes músculos apresentam em comum as seguintes propriedades: são biarticulares (atravessam duas articulações) e tem um predomínio de fibras do tipo II (fibras de contração rápida).
As regiões mais atingidas no músculo são as transições músculo-tendão e no ventre muscular (corpo do músculo).

FATORES PREDISPONENTES
Os fatores predisponentes aos estiramentos são:
– Deficiências de flexibilidade
– Desequilíbrios de força entre músculos de ações opostas (agonistas e antagonistas)
– Lesões musculares pregressas
– Distúrbios nutricionais e hormonais
– Infecções
– Fatores relacionados ao treinamento
– Incoordenação de movimentos, técnica incorreta, sobrecarga e fadiga muscular.

Na primeira fase após a lesão, há um desarranjo na estrutura das fibras musculares, desencadeando um processo de morte celular (necrose), seguindo-se uma inflamação com o aparecimento dos sinais e sintomas típicos, como: inchaço, equimose e hematoma (acúmulo de sangue), dor, deformidade e limitação de movimentos.

A fase seguinte se caracteriza pela migração de células sanguíneas e a liberação de substâncias (fatores de crescimento celular) que estimulam o reparo (cicatrização) e a regeneração das fibras musculares.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico deve abranger uma história e exames clínicos adequados, podendo ser ou não complementados por métodos de diagnóstico por imagem a critério médico.

CLASSIFICAÇÃO

A classificação dos estiramentos tem importância no diagnóstico, já que identifica e quantifica a área lesada do músculo, os fenômenos concomitantes, a gravidade, os critérios de tratamento, o tempo de afastamento do esporte e a previsão de seqüelas.

Podemos classificar os estiramentos de acordo com as dimensões da lesão em:

Grau I – lesão < 5% do músculo. A dor é localizada durante a contração muscular contra-resistência e pode ser ausente no repouso, sem formação de hematoma e a limitação funcional é leve. Apresenta bom prognóstico e a restauração das fibras é relativamente rápida.

Grau II – lesão > 5% e < 50% do músculo, acompanhado de edema, dor localizada, hemorragia leve ou moderada, limitação funcional moderada, pode evoluir com seqüelas.

Grau III – lesão > 50% do músculo, acompanhada de perda de função, defeito palpável (retração muscular) e presença de hematoma, recuperação lenta e o prognóstico é indeterminado, de um modo geral evoluindo com seqüelas (deformidades).

O tratamento dos estiramentos musculares abrange:

– Medicamentos sob prescrição médica: analgésicos, antiinflamatórios e mio relaxante.
– Gelo: compressão do local com bolsas de gelo durante 20 a 30 minutos, 3/3 horas.
– Repouso do membro afetado com a utilização de órteses (muletas, estabilizadores).
– Elevação do membro acometido para uma drenagem mais eficiente do edema.
– Fisioterapia sob prescrição: controle da dor e exercícios.

O diagnóstico precoce, assim como a prescrição de tratamentos específicos, são importantes na abordagem dos estiramentos. Nem sempre os estiramentos são precedidos por dor no mesmo local ou tensão muscular aumentada, portanto prever o surgimento de tais lesões não é uma tarefa simples.

Negligenciar o tratamento leva freqüentemente a recidivas, com novas lesões no mesmo músculo e que podem resultar seqüelas e longos períodos de afastamento do esporte.

Agradecimento ao Dr. Rogério Teixeira pela colaboração com o artigo.

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