• Categoria Dicas | 3/02/2012

    Knesio Taping as fitas coloridas da pele

    POSTADO POR Fabio Costa

    E essas fitas grudadas no corpo dos atletas pra que servem? Esse negócio funciona mesmo? Ou é só moda?
    Bom, em um evento do glorioso tricolor um grande repórter futebolístico, me pediu que escrevesse a respeito dessas fitas que estão sendo usada por atletas.
    Conhecida no meio fisioterapêutico como Knesio Tape, ou bandagem terapêutica, essa técnica na verdade não é nova, foi criada ha mais de trinta anos por Kenso Kase em Tokyo no Japão. Desenvolvida através da hipótese de que o músculos e outros tecidos poderiam ser influenciado por um contato externo. Apesar de antiga a técnica teve seu Boom na ultima olimpíada quando vários atletas apareceram usando estas bandagens.

    A primeira coisa a explicar é que essa fita não tem nada de medicamentoso, ou seja não vem impregnada com nenhuma substancia analgésica. Falo isso pois muitos me perguntam o que tem nela. São fitasoso e que não tem função de imobilização. Eles tem a espessura semelhante a da pele, podem expandir ate 130% do seu tamanho e só crescem em um sentido: longitudinal.
    E como ela age? Ela atua na propriocepção, fazendo estímulos elásticos na pele que são transmitidos a camadas mais profundas. A knesio Taping mantém a comunicação com tecidos mais profundos através de mecano receptores encontrados na derme e epiderme.


    A bandagem é aplicada com diversos objetivos:
    • Diminuição da dor e da sensação de desconforto
    • Promover suporte durante a contração muscular
    • Diminuir a congestão do fluxo linfático
    • Diminuir o extravasamento sanguíneo para o subcutâneo
    • Ajudar na correção de desvios articulares
    • Promove auxilio na contração muscular
    • Aumenta a propriocepção

    Um dos grandes estudiosos e admiradores desta técnica, o Dr. Helcio Figueiredo, Fisioterapeuta carioca da Total 1, tem demonstrado resultados animadores com o uso desta opção terapêutica. Claro que como todo tratamento ele precisa e deve ser feito por um profissional habilitado, neste caso os mais indicados são os fisioterapeutas. Sempre que falo em fisioterapeutas costumo citar Dr. Pedro Paulo Guimarães e Dr. Arivan Gomes e Dra. Mariana Marques, pois com esses tenho contato quase que diários e sempre estamos trocando informações. Apesar de que em relação a knesio taping eles não me falam muito, pois tem medo de que eu aprenda. Sem dúvida e fazendo justiça o grupo de fisioterapeutas do E.C. Bahia, Dr. Andre, Dr. Diogo e Dr. Neto, são outros craques desta arte.

    Vale ressaltar que este tratamento , seja ele preventivo ou curativo, também não é algo “milagroso” tem sua limitações ,mas é mais uma ferramenta que temos no meio desportivo. A ação placebo, que é aquela em que na verdade nao se faz nada e se obtém resultado também existe e essa eu tive uma prova maravilhosa nos últimos dias. Um grande amigo e paciente (que só citarei o apelido: Nando) me falou que taping era tão bom que ele já estava fazendo nele mesmo e jogando tênis sem dor. Claro que esse meu querido amigo, paciente e companheiro de esporte esta sendo agraciado pelo efeito placebo, mas o que vale é que ele tem jogado “forte”.

    Brincadeiras a parte existe uma técnica específica para a colocação dessas fitas e que podem variar não só coma articulação como também com o objetivoa ser atingido. Por exemplo: se aplico ela no sentido da origem pra inserção do músculo, dou mas suporte muscular e ajudo na contração, ja se aplico da inserção pra origem, ajuda a relaxar a musculatura e melhorando lesões musculares. Além disso podem ser aplicadas em “Y” em “I” em ‘X” em teia de aranha conforme aparece nas fotos.

    Tudo que melhora a performance, acelera retorno a pratica esportiva e não prejudica vejo com bons olhos para o esporte, seja pela ação clinica ou placebo essa técnica tem conseguidos grandes adeptos e sempre que possível continuarei indicando, lembrado mais uma vez que não é milagre, mas mais uma ferramenta terapêutica.
    03/02/12 | COMENTE

    Lesão do Ligamento Cruzado Anterior

    Nas últimas semanas tivemos a tristeza dobrada com o afastamento de 02 jogadores tricolores, ambos com lesões no joelho. Assim resolvi escrever sobre estas lesões para elucidar e desmistificar.
    Primeiro falarei sobre a lesão do Ligamento Cruzado Anterior. Este ligamento fica dentro do joelho, unido o osso da coxa (fêmur) ao osso da perna (Tíbia). Muito pequeno medindo apenas 38 mm ele é o principal restritor da translocação anterior do joelho, mas doutor que “diacho”é isso? Vamos lá. Ele impede que o osso da perna se desloque na direção anterior em relação ao osso da coxa, sendo assim responsável pela estabilidade do joelho. Quando um atleta ou mesmo um cidadão comum rompe este ligamento, ele passa a cursar com uma instabilidade, o joelho perde segurança, falceia e por muitas vezes sai do lugar. Por isso é que no jogador esta lesão é tão limitante. Toda vez em que se vai fazer uma mudança abrupta de direção este ligamento é solicitado. Na ausência dele estas mudanças são muito sacrificadas.

    A ruptura do ligamento em si não dói, o mais comum é o paciente sentir um estalido no joelho e este quando sai do lugar ai sim causa uma dor intensa.
    Nos primeiro segundo ou minutos após a lesão ainda é possível se examinar o paciente e fazer teste de diagnóstico,mas logo depois o joelho começa a inchar , seja pelo derrame de sangue ou de liquido sinovial e as dores tornam o exame muito difícil. Assim muitas vezes para se fazer o diagnóstico é necessário aguardar 10 ou 15 dias após a lesão.

    O exame físico é sem dúvida o melhor método de diagnóstico chegando a uma acurácia (capacidade de verificar se a lesão existe mesmo) de 98%, mas mesmo após este diagnóstico é possível que se solicite um exame de imagem que comprove a lesão. Apesar de muito caro a ressonância magnética (que de nuclear não tem nada) é o único exame que mostra esta lesão. Eu disse: ÚNICO. Falo isso pois por vezes vejo se solicitado uma ultrassonografia o joelho que infelizmente não mostrará o que procuramos.

    Quanto ao tratamento o que temos de opção? Sem dúvida a cirurgia é o método de escolha, pois é a única forma de reconstruir o ligamento, este não se regenera, não cicatriza, nem nasce de novo. Precisa ser colocado um novo no lugar. Hoje em dia esta cirurgia é feita pela técnica minimamente invasiva chamada de Artroscopia, que muito chamam de cirurgia a “laser”, mas que também de laser não tem nada. Ë uma micro câmera, mais fina que uma caneta que é colocada dentro do joelho e por ela o cirurgião reconstrói o ligamento. Além dos 2 furos realizado e que medem menos de 1 cm é necessário um corte de 4m logo abaixo do joelho pra retirarmos uma parte do músculo da coxa (tendão) que é usado como matéria prima para reconstruir o ligamento. No final este é preso tanto ao osso da coxa como ao osso da perna por parafusos específicos ( que não precisão mais nunca ser retirados). Se me perguntarem se o paciente pode optar por não operar, sempre respondo que sim, mas ele tem que ter consciência de que não poderá fazer esporte com mudança de direção, correrá o risco de desenvolver artrose (desgaste da articulação) e ainda terá a chance grande de ter episódios repetidos de entorse tendo o seu joelho saindo do lugar constantemente. Se com tudo isso ele optar por não operar terá resultados satisfatórios.

    Em relação à reabilitação e pós-operatório paciente com lesão do LCA operado, normalmente entra pela manha da clínica e vai embora à noite, não havendo a imposição de dormir nos hospital, deixando claro que isso é uma opção do cirurgião, no meu caso, meus pacientes usam muletas nos 10 primeiros dias, já pisando no primeiro dia pós-operatório, começam um trabalho de fisioterapia, em clinicas especializadas, em 01 semana e permanecem em tratamento orientado por 6 a 8meses. Este tratamento orientado vai desde bicicleta ergométrica até a musculação em academia.

    A verdade é que esta cirurgia evoluiu muito e hoje em dia os atletas operados voltam a jogar no mesmo nível pré-lesão. Só pra lembrarmos alguns jogadores operados temos Alisson nosso zagueiro, Obina quando no Flamengo e mais recentemente o Ganso que se encontra em plena reabilitação. Claro que o melhor de tudo é não lesionar, mas se acontecer o imprevisto, sigamos o dizer futebolístico: BOLA PRA FRENTE!!