• Categoria Tênis | 27/04/2011

    Novidades sobre tendinites no atleta

    POSTADO POR admin

    Todo mundo ouve falar de tendinites, mas o que poucos sabem é que a maior parte de lesões dos tenistas são as chamadas tendinoses. Um nome complicado para dizer que o seu tendão tem uma degeneração, e em alguns casos ele pode até estar rompido sem você saber. Todo tendão pode inflamar, e todo tendão pode se desgastar, em virtude de sobrecargas agudas ou crônicas. Muitos tenistas já devem ter sentido isso na pele, ou melhor, no cotovelo, no ombro ou no joelho. O importante em todo caso de tendinite é FAZER UM DIAGNÓSTICO PRECISO DO QUE ESTÁ ACONTECENDO NO TENDÃO. Se for uma inflamação devemos tratar de um modo – geralmente remédios e uma a duas semanas de fisioterapia resolvem. Se o tendão estiver degenerado (em outras palavras, desgastado, a ponto de ter às vezes rupturas) devemos tratar de outra forma. Hoje em dia os melhores exames para diagnosticar adequadamente a lesão são o ultra-som e a ressonância magnética. As tendinites crônicas podem ser tratadas por vários métodos, e dentre eles, nos últimos anos, alguns novos procedimentos foram incorporados no arsenal terapêutico. Vamos falar um pouco sobre alguns deles:

    ONDAS DE CHOQUE – é um tratamento realizado com um aparelho específico para isto, que geralmente é indicado para tendinites calcificadas ou crônicas do ombro, cotovelo e pé (calcâneo). Muitos trabalhos na literatura mundial falam do seu benefício no tratamento, inclusive com trabalhos randomizados e prospectivos. Acho um caminho interessante para alguns casos (como as tendinites calcificadas), porém pessoalmente não utilizo em meus pacientes. O custo é relativamente elevado – ao redor de 800 a 1.000 reais por aplicação (preços médios para a cidade de São Paulo).

    ACUPUNTURA – é muito usada para o tratamento de tendinites, e tem os seus seguidores. Nas patologias crônicas tem pouco resultado, pois nesta fase geralmente o tendão já se encontra com mudança na sua estrutura celular. Para as lesões agudas é um tratamento interessante para aliviar a dor e fazer com que o paciente suporte melhor um tratamento fisioterápico.

    TOXINA BOTULÍNICA – é um tratamento recente, usado principalmente para epicondilite lateral do cotovelo em pessoas que não praticam esportes. Não aconselho o tratamento, apesar de alguns trabalhos da literatura mundial falar do benefício num curto prazo. O princípio é o de você bloquear a atividade muscular na região do tendão acometido, fazendo com que a lesão cicatrize espontaneamente.

    INFILTRAÇÃO COM CORTICÓIDES – esta é um terapia muito difundida, mas que infelizmente não encontra respaldo na literatura médica em termos de cura da lesão. Todos os trabalhos que temos com relação a melhora da lesão são trabalhos que deixam muito claro que as melhoras ocorrem por um curto intervalo de tempo – dificilmente os trabalhos que falam a favor da infiltração com corticóides demonstram seguimentos clínicos maiores do que 1 ano. Por outro lado, na parte de estudos científicos básicos, já está mais do que provado que o corticóide afeta o tenócito, a célula principal que compõe os tendões. Pessoalmente eu reservo as infiltrações para as bursites de ombro somente, não realizando diretamente nos tendões.

    CIRURGIA – como quase tudo em ortopedia, a cirurgia no caso das tendinopatias tem a sua indicação, mas esta deve ser muito precisa e cada tendão tem o seu enfoque. O conceito da cirurgia deve englobar a ressecção de tecidos desgastados aliado a promoção de uma melhor vascularização no local, para que a cicatrização se dê da melhor forma possível. Em alguns casos, como temos que ressecar muito tecido no tendão, temos que fazer transferências tendinosas para dar um reforço no tendão, para que ele não fique mais frágil. Hoje em dia a colocação de fatores de crescimento derivados de plaquetas (processados a partir do sangue do próprio paciente) melhoram a cicatrização tecidual, e são um importante campo de pesquisa que está se abrindo na literatura médica mundial. Os estudos ainda estão no início, mas são promissores na área de medicina esportiva.

    Dr. Rogério Teixeira da Silva.

    Ortopedista e Médico do Esporte

    rogerio@neoesporte.com.br