• Categoria Ciclismo | 27/04/2011

    Prevenção das lesões no Spining e Ciclismo in door

    POSTADO POR admin

    Um dos veículos mais práticos e baratos do mundo é a bicicleta que desde a sua invenção em 1791 pelo Monsieur de Sivrac e aperfeiçoada em 1817 pelo Barão de Von Drais, vem sofrendo modificações cada vez mais sofisticados proporcionando conforto e segurança a quem pedala. Da mesma forma, o treinamento físico em academia também se aperfeiçoa surgindo novidades complementares às tarefas diárias e às modalidades esportivas. Assim, nos anos 90 surgiu o spining, um programa de treinamento físico em bicicleta estacionária especialmente construída para simular as situações vividas de um ciclista na estrada criada por Johnny G. e patenteado pela empresa americana Mad Dogg Athletics. O equipamento tem como característica principal rodas pesadas, guidão e selim ajustáveis. Essas diferenças proporcionam melhor cadência, giros mais altos e variação de objetivos fisiológicos e valências físicas. Em paralelo, também com características similares surgiu o RPM do sistema Body Systems e o ciclismo In Door, esta sem a roupagem de uma visão monopolista.

    Como se trata de uma atividade muito dinâmica e dando bons resultados, a procura virou uma febre. Não tardou também aparecer casos de lesões ou afastamentos temporários em virtude de excessos cometidos e má condução da atividade.

    Entre as lesões ocorridas nos praticantes de ciclismo outdoor e In Door, algumas são comuns às duas modalidades tais como as dores lombares e ou cervicais, contraturas, distensões, tendinites e dormência entre as pernas. A posição de pegada no guidão pode gerar uma pressão prolongada levando a uma neuropatia progressiva nas mãos conhecida por síndrome do túnel do carpo. Estudos vêm sendo feitos em diversas regiões com números próximos desses: Dores lombares 65%, problemas nas pernas e joelho 18%, dores no pescoço 9%, nas costas como um todo 5% e desconforto na posição sentada 3%.

    Entretanto, boa parte desses problemas seriam evitados por se tratar de excessos cometidos, falta de orientação e não atenção às avaliações funcionais. Algumas lesões estão ligadas à alterações biomecânicas, desequilíbrios musculares com fraqueza e ou encurtamentos de cadeias musculares, desalinhamentos de joelho, pés planos, eqüino ou pronados e ainda os casos de perna mais curta que a outra. Convenhamos. Esses detalhes, na maioria das vezes, não são observados quando um aluno se apresenta para a aula de spining. Já outros problemas partem da desatenção do aluno tais como altura do banco e distância do selim para o guidão, excesso de aulas, deixar-se levar à intensidades maiores do que a própria condição física permite em virtude do clima por vezes alucinantes. Embora esses procedimentos sejam de responsabilidade do professor, o aluno deve procurar ter bom senso uma vez que, entende-se estar fazendo atividade física visando qualidade de vida.

    Apesar da evolução das bicicletas estacionárias usadas no spining, RPM e ciclismo In Door, os ajustes ergonômicos ainda são limitados deixando de atender aos praticantes mais baixos e os mais altos cujos braços de alavancas das pernas não se adequam a nenhuma variação mecânica. Com isso, além da transmissão da força dos músculos para os pedais não se processar de modo eficiente, as chances de lesão aumentam. Não basta simplesmente ajustar altura do selim e a distância para guidão. O triângulo formado pelo quadril, empunhadura e pedal é importante para uma perfeita transmissão de força. Nesse componente, o tamanho dos “cranks” (pedivelas) também deve ser adequado às dimensões das pernas do aluno. Pernas mais longas… “cranks” mais longos, pernas mais curtas… cranks mais curtos. Na absoluta maioria das bicicletas estacionárias essa peça tem um tamanho padronizado. Depois de ajustada a bicicleta, estando o pedal e o “crank” na horizontal, o ideal é que o eixo de pedal esteja verticalmente alinhado com o joelho. Convenhamos. Nas aulas de spining quem se preocupa com isso? A longo prazo, os movimentos repetitivos, podem causar dor no joelho em virtude das forças vetoriais do fêmur contra a patela.

    A cadência é outro fator importante no desempenho do aluno e isso depende, além dos ajustes citados, de uma musculatura com boa coordenação motora, força e flexibilidade. Profissionais no ciclismo Out Door usam uma cadência entre 90 e 100 pedaladas por minuto e procuram mantê-las apenas trocando as marchas com a variação do terreno. No ciclismo In Door, como não existe  marcha, o peso da roda facilita a manutenção de uma cadência confortável mesmo nas manobras contra resistência. Isso também induz o desenvolvimento da coordenação motora e o ato de pedalar nos 360º trabalhando a musculatura agônica e antagônica de forma harmônica com menos esforço.

    Como qualquer modalidade esportiva ou de fitness, o ciclismo In Door não é completo por si só e a maior exigência muscular dinâmica é dos membros inferiores. Os gastrocnêmios trabalham em torno de 37% enquanto os posteriores de coxa e os vastos laterais 18%, retos femurais 15% e os glúteos máximo 12%. Boa parte do ciclo do ato de pedalar, em torno de 56%, é feito pelo vasto medial. Os músculos do tronco e dos membros superiores fazem um trabalho isométrico sustentando e equilibrando a atividade como um todo. As dores lombares, cervicais e dormência nos braços e ou mãos, normalmente estão associadas a excesso de aulas sem a devida preparação desses segmentos corporais. Os músculos do abdome são importantíssimos na sustentação, equilíbrio e transferência de força para os pedais.

    Outro problema gerando mais dúvidas do que certezas, e até de certa forma virando mito, muito mais em função da desinformação, é a questão da dormência entre as pernas. Já tem inclusive nome: parestesia peniana. Trata-se de falta de sensibilidade na região que apóia no selim ao sentar. O nervo pudendo, aí localizado, quando submetido a compressão por longo período diminui a capacidade de impulso nervoso deixando temporariamente a região dormente. Por conta disso surgiram muitos boatos ligados a impotência, infertilidade mas sem nenhum fundamento. Não existe até agora nenhum relatório médico ou científico que possa tomar isso como verdade. Portanto, o melhor é fazer um número de horas de as aulas respeitando os limites individuais do prazer e bom senso.

    Aí vão algumas regrinhas para não transformar o spining, o RPM, o ciclismo In Door, uma atividade tão prazerosa em tormento.

    1.   Siga as orientações do profissional de Educação Física que vai conduzir a aula.

    2.   Verifique todos os ajustes do equipamento antes de começar a aula fazendo disso uma rotina. Normalmente há uma tendência ao relaxamento desses procedimentos quando o aluno deixa de ser iniciante ou quando chega atrasado.

    3.   Use acessórios adequados tais como garrafinha para água, bermuda acolchoada, monitor cardíaco, toalha para enxugar o suor, luvas e tênis confortável.

    4.   Mantenha-se hidratado antes, durante e depois da atividade.

    5.   Mantenha a Freqüência Cardíaca dentro dos limites do objetivo da aula ou as chamadas zona alvo.

    6.   Procure aperfeiçoar a técnica do ato de pedalar sem fugir dos padrões de conforto. Spining não é sofrimento.

    7.   Ao sentir dores agudas em qualquer parte do corpo, não banque o herói e nem sinta vergonha de parar se achar necessário.

    8.   Participe de outras aulas complementares tais como musculação, ginástica localizada, alongamento, entre outras a fim de descansar e ou preparar cadeias musculares não trabalhadas. A vida não é só pedal.

    9.  Não fique com dúvidas. Pergunte sempre ao professor porque é um direito seu e obrigação dele responder.

    10.Tenha bom senso.

    Agradecimento: Luiz Carlos de Moraes CREF/1 RJ 3529

    Dr. FÁBIO COSTA

    CREMEB 15998    TEOT 8421