Tendinites e o Tendão de Aquiles (Tendão Calcâneo)

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Segundo a mitologia grega, Aquiles tinha um único ponto vulnerável em seu corpo. Um ponto fraco que foi herdado pela humanidade ao “batizar” o tendão calcâneo de tendão de Aquiles.

Escolhi este tema pois na última semana me deparei com 3 casos iguais no departamento médico do Bahia. Nem Avine e Jael vinham se queixando contantemente de dores no tendão daí tive a idéia de comentar sobre esta patologia.

O tendão é um tecido fibroso, composto primariamente por colágeno, que conecta o músculo ao osso, sendo responsável pela transferência de força entre os dois gerando o movimento da articulação.

O tendão de Aquiles que hoje pela nomina nova passou a ser chamado de tendão calâneo é o mais resistente do corpo humano, e o mais suscetível a lesões, por pertencer a um grupo músculo-tendineo que cruza duas articulações: o joelho e o tornozelo.

É importante diferenciarmos 4 lesões distintas, que na verdade, podem ser vistas como 4 estágios evolutivos da mesma patologia.

A tendinite (estágio inicial) é um processo inflamatório que leva a dor na face posterior do tornozelo.
Essa inflamação, cronicamente, leva ao enfraquecimento do tendão, tornando-o susceptível a lesões parciais. Essa seria a segunda fase.

As Lesões parciais cicatrizam.porem quando esta cicatrização ocorre de um aforma desordenada forma-se um tecido que não apresenta as mesmas características mecânicas do tendão íntegro.

A alteração desse tecido cicatricial gera a tendinose, que pode ser traduzida como uma tendinite crônica, ou seja a terceira fase. Muitas vezes quando não tratada a tendinite pode evoluir a um ponto ainda mais grave e pode provocar uma lesão completa do tendão. As duas primeiras vezes são mais fáceis de tratar, com as medidas que estamos descrevendo abaixo elas são facilmente resolvidas. Já a fase da tendinose e ruptura do tendão requerem cuidados especiais sendo até as vezes indicado tratamento cirúrgico.

As causas mais comuns da tendinite aquileana são:

• aumento abrupto da quilometragem ou velocidade nos treinos;
• quantidade excessiva de subidas no treino;
• retorno muito rápido aos treinos após um período de repouso;
• trauma, secundário a contração vigorosa e repentina da musculatura da panturrilha (p.ex. no sprint);
• over trainning que
• alterações anatômicas do pé ou tênis inapropriado.

Inicialmente, o principal sintoma da tendinite é a dor, bem localizada, na face posterior do tornozelo. Nos estágios iniciais, a dor aparece ao final do treino ou durante subidas mais íngremes.

Após certo período, a dor começa a incomodar cada vez mais cedo no treino, evoluindo para episódios de dor, mesmo em repouso. Uma queixa comum é a dor ao subir escadas.

Um déficit de força para realizar a flexão plantar do tornozelo é outro sintoma comum.

O principal sinal físico é um edema (inchaço), localizado sobre o tendão. Nodulações podem aparecer no trajeto tendíneo.

Alguns diagnósticos diferenciais devem ser pesquisados na hipótese de tendinite calcânea:

• a síndrome do impacto posterior, secundária a presença de um osso acessório (os trigonum);
• a bursite calcânea, que é a inflamação da bursa entre o tendão e o calcâneo;
• a moléstia de Haglund, caracterizada pela presença de um “esporão” posterior;
• mal alinhamento do retro pé, levando a uma marcha com pronação ou supinação excessivas.

Todos esses são patologias que podem ser confundidas com a tendinite e devem ser avaliadas e afastada do diagnóstico. O tratamento depende do estágio evolutivo da lesão, sendo a ressonância nuclear magnética o exame mais sensível para essa avaliação.

Nos estágios iniciais e na maioria das rupturas parciais, o tratamento consiste em repouso, que pode ser o afastamento absoluto de qualquer atividade física, ou apenas uma redução na intensidade do treino. Em casos mais extremos, um período de imobilização (com gesso ou brace) é benéfica.

Os antiinflamatórios não-hormonais são importantes na fase aguda, principalmente aqueles com inibição seletiva da COX2, por apresentarem maior segurança contra efeitos adversos, são a medicação de escolha.

É importante salientar o risco das infiltrações com corticoesteróides, porem quando bem indicadas, apresentam bons resultados. Uma infiltração realizada inadvertidamente no tecido tendíneo pode provocar sua ruptura.

O uso de orteses, principalmente para o calcanhar, diminuem a tensão no tendão e quando necessário, corrigem o mau alinhamento do retro pé.

Nos últimos anos tem-se obtido excelentes resultados com a aplicação do PRP (plasma rico em Plaquetas) isso nada mais é do que um material retirado do sangue do próprio paciente e passado por um processo. Esse PRP será alvo de um artigo especifico nosso, ele representa uma das maiores evoluções da Traumatologia desportiva dos últimos tempos

Fisioterapia, está deve ser o método de escolha do tratamento onde incluindo, além dos meios físicos (crioterapia, USOM, tensis) fazemos o fortalecimento e alongamento da musculatura da panturrilha (gastrocnêmioe sóleo). La no INSBOT temos o cuidado de manter uma relação muito próxima com nossos fisioterapeutas, pois como a coordenadora de nossa unidade do Rio Vermelho, Dra. Mariana Marques diz : “o mais importante é nos comunicarmos e entender as necessidades do paciente”.

Por Dr. Fábio Costa

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